O sindrome de "défice de Natureza"

O universo do Bebé

Conectar o bebé com a Natureza: essencial para o seu despertar 

 

 

 

Finalmente, o bebé chegou! Está presente, cresce, desperta delicadamente. De certeza que se questiona sobre o que poderá fazer para ajudar a desenvolver o melhor possível o seu filho(a)!

 

 

 

A nossa ideia? Facilitar-lhe a vida e ajudar a conectar o seu bebé com a Natureza, numa época em que será, provavelmente, mais fácil disponibilizar-lhe um tablet ou pô-lo a ver desenhos animados… Essa mesma época em que se observa uma distância da Natureza na vida do seu filho. É a constatação de alguns investigadores: as crianças passam pouco tempo ao ar livre devido aos receios dos pais veiculados pelos meios de comunicação social, devido à falta de espaços verdes resultante da urbanização ou ainda devido à exposição excessiva aos ecrãs.

Esta situação não é oficialmente reconhecida clinicamente como um transtorno mental, contudo, tanto as evidências recolhidas nos Estados Unidos como os números são bastante perturbadores:

- As crianças americanas passam entre 40 a 65 horas or semana à frente de um ecrã. 
- Menos de 1 criança em cada 5 vai para a escola a pé.  
- A prevalência da obsidade infantil aumentou 4% em 1960 para 20% na primeira década do sec. XXI. 
- Apenas 6% das crianças entre os 9 e 13 anos de idade brincam todas as semanas ao ar livre* 

Em França, as crianças entre 1 e 6 anos de idade passam, em média, 4 horas e 37 minutos na Internet todas as semanas.**

 

*Dados extraídos do estudo de Richard Louv “Last child in the wood”, com base num inquérito realizado nos Estados Unidos em 2005.

**Estudo IPSOS 2017

Quando a aprendizagem se faz a deslizar os dedos sobre um ecrã, surgem os problemas comportamentais: falta de força nas mãos, atraso na aquisição da marcha ou da linguagem, descontextualização das respostas.

 

Anne-Lise Ducanda apresenta inúmeros exemplos, entre os quais o de crianças que aprenderam a contar em aplicações digitais, incluindo em inglês, mas que não percebem quando lhes são pedidos dois lápis, pois não entenderam que "dois" corresponde a duas coisas, ou o caso em que uma das crianças está vestida de azul, com sapatos azuis, e se pergunta a um dos seus colegas “de quem são os sapatos?” e a resposta dada é "azul".  

A linguagem é indispensável para aprender a ler. Os estímulos dos ecrãs não permitem desenvolver a motricidade fina (segurar um lápis na mão, por exemplo) da mesma forma como são desenvolvidas pelos pais quando interagem com os seus filhos.

É fácil perceber que as crianças passam demasiado tempo à frente de um tablet ou da televisão se tivermos em conta que, antes dos 6 meses, os bebés estão acordados entre 6 e 7 horas por dia. Não se trata de sermos tecnofóbicos, mas sim de garantir a moderação, para que o adulto permaneça uma referência para a criança.

O mundo virtual entrou demasiado depressa nas nossas vidas para que consigamos perceber as suas verdadeiras repercussões, além disso, complica a tarefa educativa ao simplificá-la. Substituir o ecrã pelo ar livre é um pouco complicado, pois os pais não são todos iguais, no entanto, se tentar verá benefícios notáveis a curto e a longo prazo e, um dia, de certeza que se sentirá agradecido por lhe ter mostrado a natureza.

 

Entre os 0 a 6 meses de idade

O seu bebé chegou e cresce rapidamente. Durante os primeiros 6 meses está muito atento a todos os seus movimentos e gestos, desenvolve as capacidades sensoriais e olha para todo o lado.

É a idade ideal para começar a partilhar com ele os diversos ruídos, os diferentes aromas, as novas sensações (dê-lhe a provar limão pela primeira vez e verá), mas também para o levar a passear sempre que puder.

No carrinho de bebé ou num porta-bebés, qualquer pretexto serve para uma pequena caminhada. Não só favorecerá o desenvolvimento do sistema imunitário do bebé, como também lhe permitirá descobrir o mundo que o rodeia. Quanto mais o passear, mais ele se habituará e não chorará em viagens ou restaurantes.

 

Entre 6 a 12 meses de idade

Provavelmente, o seu bebé já tenta comunicar consigo e chamar a sua atenção. Gatinha, depois aprende a levantar-se e desloca-se no chão: algo que gosta particularmente de fazer!

Não hesite em brincar com ele, ajudando-o: vá ao parque ou à mata e segure-o pelas mãos enquanto caminha e descobre a sensação da erva debaixo dos pés. Uma atividade que parece insignificante, mas que sensibiliza a planta do pé, habituando-a à humidade ou ao calor, ao suave e ao agradável.

Uma atividade de despertar bastante divertida? Encha duas tigelas: uma com água fria, a outra com água morna, e observe as reações do seu bebé; a água exerce um efeito bastante calmante, mobilizando a sua atenção (podemos constatá-lo quando toma banho!).

 

A partir dos 12 anos de idade

E aí está: o bebé começa a andar! Se o bebé tiver equilíbrio suficiente, experimente construir um percurso que ele possa fazer descalço: forme um caminho com algumas bacias contendo diversos materiais (algodão, areia, pedrinhas, folhas, penas, água etc.). Pergunte-lhe várias vezes como se sente, para que ele verbalize e exteriorize as suas impressões de acordo com a sua idade.

É também a altura de começar a ler-lhe histórias antes de se deitar ou à sombra de uma árvore: histórias de dragões e de outros mundos imaginários, mas também de animais. Os livros sonoros são excelentes prolongamentos daquilo que se pode escutar lá fora e permitem também ouvir sons da natureza que nem sempre estão disponíveis na zona onde vive (não encontrará com frequência um elefante…).

A partir dos 2 anos de idade, o seu filho poderá participar em atividades de reconhecimento de ruídos ou imagens; quando já estiver bastante à vontade, experimente trocar os papéis para que ele lhe peça a si para adivinhar o que está a ver. Isto permitirá que a criança se envolva na aprendizagem da leitura. Outra estratégia para evitar os ecrãs: há CDs com contos infantis (“ouvir a ler”), que literalmente cativam as crianças quando não há tempo para lhes ler uma história, sem descurar a imaginação.

A Natureza para despertar o bebé

Mas afinal, mais concretamente, o que é que se pode fazer para despertar realmente o bebé para a Natureza que o rodeia? Arranje um frasco de vidro, encha-o de terra ou de algodão embebido em água e coloque lá dentro algumas sementes de lentilha.

Mais tarde, se houver uma zona verde ou uma horta comunitária nas proximidades, ensine-lhe o nome dos frutos e dos vegetais. Faça-o provar tudo e depois conte-lhe a história do ciclo de vida de uma planta. Poderá deixá-lo semear, plantar e regar as sementes, para depois apanhar ou colher o fruto do vosso trabalho conjunto. Uma bela aprendizagem sobre o que é a paciência!

Da mesma forma, quando a criança for suficientemente grande para lhe enfiar umas galochas, não hesite em dar um passeio. A criança verá que não há motivo para ter medo e sentirá as gotas a cair nas suas mãos, depois saltará alegremente nas poças de água; no fundo, todos nós gostávamos disso...

Não receie as nódoas nem os micróbios, as crianças brincam menos lá fora precisamente por causa deste medo do exterior, dos outros e do mito do risco zero. Sujar-se nunca fez mal a ninguém, terá até muitos benefícios para a saúde das crianças, pois a flora microbiana em ambientes naturais não é, certamente, igual à das nossas casas modernas!

Sem stress, as crianças não precisam de saber o nome de todas as árvores e de todas as flores para se aproximarem da natureza. Basta simplesmente torná-la acessível às crianças, conduzi-las, mostrar-lhes, mas também incentivá-las a conhecer, explicar-lhes as coisas simples e essenciais, como os ciclos naturais e o lugar do Homem nos mesmos.

A curiosidade aguçada dos mais pequeninos permite-nos aproveitar qualquer ocasião para os deslumbrar e, talvez, para também encontrarmos aí a nossa própria felicidade.